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terça-feira, 3 de julho de 2018

O marxismo da teoria crítica






Olá, Leitor!

Tudo bem?

Já ouviu falar em Teoria Crítica?

Nunca?

Sabia que quando você assiste a TV, ela está lá?

Quando assiste a um filme, também?

Sabia que seus filhos aprendem dela na escola?

Ela deu origem a vários sistemas, um deles é o Marxismo Cultural, outro foi o socioconstrutivismo, e ainda há muitos outros.


Possui várias ferramentas interessantes, uma delas chama-se relativismo, conhece?

Tem mais uma coisa muito importante que você precisa saber sobre ela:

Ela é sua inimiga,

Sua inimiga mais mortal.

Quer saber um pouco sobre ela?


Marcos Nobre
Para nos ajudar a entender essa importante questão, nada melhor que ouvir um defensor da Teoria Crítica falar.

Marcos Nobre é um filósofo marxista brasileiro bem conhecido, e navegando pelo YouTube, noutro dia, encontrei uma palestra sua sobre o assunto e resolvi comentá-la aqui.

Entretanto, fiz a análise de um modo um pouco diferente, pois não a fiz na forma de resenha, como muitos fariam, fiz do seguinte modo: selecionei os pontos principais da palestra dele e os dividi em vários parágrafos (em vermelho) e inseri minha análise logo após cada parágrafo (em azul).

Assim fica mais fácil entender o ponto de vista dele (um marxista descrevendo a Teoria Crítica) e também o meu.

Caso queira assistir a palestra dele na íntegra, sem a minha análise, basta seguir este link.

Mas caso já a tenha assistido ou  não queira assisti-la, então, sem mais delongas, vamos à análise da palestra dele.

Boa leitura:

Marcos Nobre: Eu só posso entender o mundo, tal como ele é hoje, a partir do que ele poderia ser… Ao olhar o mundo da perspectiva do mundo melhor, que ele poderia ser, ao mesmo tempo conseguir enxergar, neste mundo, os obstáculos para que se alcance essa configuração melhor do mundo.

Pensador Livre: Esse pensamento acima, fora de seu contexto original, é muito lindo! Mas quando entendemos o que ele realmente quer dizer com “perspectiva do mundo melhor, que ele poderia ser” e o método que os marxistas inventaram para chegar a esse fim, então vemos que na verdade é um pensamento perigoso, nocivo e cruel.

Marcos Nobre: O conhecimento da Teoria Tradicional ignora que o conhecimento poderia ser de outro modo, ou seja, melhorado. É impossível mostrar como as coisas realmente são, senão a partir da perspectiva de como deveria ser, só posso entender o mundo, como ele é, hoje, a partir do que ele poderia ser. Perceber o que está embutido no mundo, mas não é realizado, enxergar no mundo o melhor que ele poderia ser, mas não realiza. Ao descrever o mundo como ele é, faz-se uma descrição parcial do mundo, mas descrevendo-o como poderia ser, então é uma descrição completa.

Pensador Livre: Durante toda essa palestra, Marcos Nobre procurou descrever a Teoria Crítica a partir de críticas à Teoria Tradicional, sendo que, o termo “Teoria Tradicional”, usado aqui, refere-se a todo o conhecimento desenvolvido pelo Homem, seja científico ou filosófico; teórico ou prático. Entretanto, ele não se dá ao trabalho de justificar ou mesmo fundamentar essas críticas, apenas afirma que tal coisa é assim e pronto. Como no parágrafo acima, por exemplo, onde afirma que a Teoria Tradicional ignora que o conhecimento poderia ser de outro modo.
Mas qual seria esse outro modo?
Afinal, graças a essa busca constante pelo saber científico, realizado pela Teoria Tradicional, que o Homem pode sair das cavernas e ir para a Lua. Foi a Teoria Tradicional que criou e garantiu os avanços na medicina, engenharia, física, química e etc.
Então, qual seria esse outro modo?
Conforme formos avançando, será possível notar que a Teoria Crítica propõe rebaixar a Teoria Tradicional a uma categoria inferior, onde é definida simplesmente como: “descrever como o mundo é”, e deve ser substituída arbitrariamente, sem base material alguma, pela Teoria Crítica, definida como: “o mundo como deveria ser”.
Mas como saber o que deveria ser sem saber o que é? Quem tem autoridade para afirmar o que DEVERIA ser?
Qual seria o propósito da Teoria Crítica, verdadeiramente?
Destruir tudo e recomeçar do zero?
Seria Ultron um praticante da Teoria Crítica?
Um novo mundo para um novo Homem habitar, como diria Ultron?
Mas isso seria feito seguindo uma linha (arbitrariamente) pré-definida por quem?
Os marxistas?
Mas, no caso, seria destruir tudo e substituir pelo quê?
Isso a Teoria Crítica não responde, seja nessa palestra de Marcos Nobre, nos livros de Max Horkheimer (criador da Teoria Crítica ) ou qualquer outra fonte marxista.

Marcos Nobre: A Teoria Crítica enxerga no mundo atual aqueles fatores que impedem que ele seja melhor, consegue enxergar os obstáculos que impedem essa configuração melhor. A Teoria Crítica aponta para a prática, como realização desses potenciais melhores, a Teoria Crítica nos mostra como superar os obstáculos.

Pensador Livre: A Teoria Crítica aponta para a prática?
O que isso significa?
É importante entender o que ele quer dizer com "prática", mas para entendê-lo melhor, convém dar uma breve pausa em nossa análise da palestra. Antes de prosseguirmos, vamos entender melhor a origem de alguns conceitos abordados aqui, afinal de contas, o marxismo também tem sua história.
Segundo Immanuel Kant (22/04/1724 a 12/02/1804), a liberdade vem do agir, nômenos, e não do pensar, fenômenos (para a Revolução Francesa, veio a calhar, pois queriam se libertar das garras da monarquia e da fé). Ou seja, não há escolha no ato de pensar, mas no de agir, pois no agir se tem acesso a uma decisão moral imediatamente, pois quando pensamos, somos apenas como os animais, mas quando agimos, então entramos na categoria dos “santos” e dos anjos.
O Homem quando pensa, ele está preso dento de si mesmo, só é nobre quando age.
Assim, o agir é uma ação moral exclusiva do indivíduo, de modo a não haver uma verdade universal, absoluta. Não existe um mundo externo, real, de fato, mas aquilo que o Homem cria em seu “agir”, é como se criasse um “simulador” exclusivo para entender a realidade. Assim, verdade alguma pode ser verificada pelo modelo de Kant.
* Entendeu por que o “agir” é importante para Kant?

Georg Wilhelm Friedrich Hegel (27/08/1770 a 14/11/1831) não admitia a inexistência da verdade, por isso, segundo ele, havia um espírito universal, que para conhecer a si mesmo, havia criado tudo e esse “tudo”, fora de si mesmo, era outro “EU”. O caminho que esse “espírito” usou para chegar à verdade absoluta foi através de um processo dialético na história humana (um processo dialético é
quando uma ideia se torna uma tese, daí surge uma antítese em oposição a essa tese, dando origem a uma síntese de ambos. Essa síntese, então, se torna outra tese em oposição a outra antítese, formando nova síntese, e assim por diante. Grosso modo: uma forma de “tentativa e erro”). Ao final desse processo dialético, quando a igualdade (como em uma equação) entre o espírito universal e tudo que existe fosse alcançada (ou compreendida de forma consciente), então a Verdade seria alcançada.
* Entendeu a importância da dialética para Hegel?

Karl Heinrich Marx (05/05/1818 a 14/03/1883), que veio depois, pegou a ideia kantiana de que o mundo externo não existe, mas só pode ser alcançado pelo AGIR e nunca pelo pensar e juntou a isso a dialética de Hegel (mas sem o “espírito universal”).
* Pegou a ideia?

Ou seja, sendo que o mundo externo só pode ser alcançado pelo agir, (Marx dizia que o Homem é o animal que faz, homo faber, pois cria instrumentos de trabalho), então essa dialética na história ocorreu através do agir do Homem, no caso, a luta de classes. Assim, a Revolução do Proletariado é o resultado final dessa dialética, sendo, portanto, uma consequência natural e inevitável.
A práxis, ou prática, mencionada acima por Marcos Nobre, remete para os instrumentos em ação (ou instrumentos de trabalho) que determinam a transformação das estruturas sociais, ou seja, o “agir” de Kant transformou-se na “práxis” de Marx.

Mas o que isso tem a ver com Teoria Crítica?
Simples, tudo é uma questão de luta de classes.

Uma das contribuições de Karl Korsch (15/08/1886 a 21/10/1961) para a Escola de Frankfurt (uma espécie de instituto para estudos marxistas) foi que não basta tomar as fábricas para destruir o Estado, pois a subestrutura do Estado é o modo de produção burguês, assim, para destruir essa subestrutura, então é necessário também tomar as universidades, o direito, a filosofia e etc., ou seja, dominar todo o modo de pensar burguês.
Foi aí que outr
o sujeito, também da Escola de Frankfurt, chamado Max Horkheimer (14/02/1895 a 7/07/1973), pensou que para atacar o Estado e implantar o socialismo, então precisava destruir a cultura, assim, então destruiria o modo de pensar burguês. Segundo ele, a cultura é formada por três instituições, que são intermediárias entre o Estado e o indivíduo, no caso: a escola, a religião e a família.
Para isso Max Horkheimer criou a Teoria Crítica.
Essa teoria critica tudo, pois a Teoria Tradicional está errada, pois o homem não tem acesso à realidade (lembra-se de Kant, logo acima?). Se você questiona tudo na cultura de alguém, então esta cultura se dissolve, como gelo debaixo do sol. Entretanto, ele viu que dentre essas três instituições, uma era mais perigosa do que as outras, no caso, a família monogâmica indissolúvel (homem, mulher e filhos).
Veja bem...
Por baixo do Estado há a estrutura burguesa (o capitalismo que motiva a luta de classes), sua subestrutura é a cultura e mais abaixo havia a Autoridade, que, segundo ele, era uma interiorização da violência estatal, que impedia que se discordasse do modo de produção capitalista. O “autoritarismo” impedia a dissolução da cultura, assim, a raiz que segura a cultura é a autoridade, mas de onde vem a ideia de autoridade? Da família.
Quando um indivíduo levanta cedo e não quer ir trabalhar, mas se lembra de que o trabalho dignifica o homem, então, é o autoritarismo quem o faz pensar assim. Segundo ele, o autoritarismo burguês está interiorizado nos valores, na religião e etc., como o Estado não pode obrigar todo mundo a ir para as fábricas, então “criou” esse terrorismo psicológico para alcançar o mesmo fim. Como foi dito, ele acreditava que esse “autoritarismo” vinha da família monogâmica, indissolúvel entre homem, mulher e filhos.
Logo, a família deve ser destruída, pois junto com ela, TODO o resto também cai.
Seria Mad Max a consequência natural da utopia marxista?
Foi pensando nisso que Horkheimer disse que o relacionamento de homem e mulher não é natural e que esse relacionamento foi o primeiro estágio da "luta de classes". Por consequência, os teóricos críticos modernos inventaram a Ideologia de Gêneros, onde um homem não é homem, mesmo tendo pênis e próstata e uma mulher não é mulher, mesmo tendo vagina e ovário, mas que tudo isso faz parte de um construto social, uma invenção social do capitalismo. Afinal, a biologia, como conhecemos, faz parte da Teoria Tradicional, certo? Se o mundo externo não existe, então a ciência também pode ser sumariamente ignorada.
Assim, o obstáculo para essa tal “configuração melhor” é o capitalismo, que promove a luta de classes, mas que tem uma estrutura, no caso, a cultura (o pensamento ocidental) e sua subestrutura, no caso, a escola, a religião (cristianismo) e a família monogâmica indissolúvel entre homem, mulher e filhos.
A Teoria Crítica é ciência ou ideologia?
É óbvio que é ideologia, ficou claro isso, pois se ela substitui a biologia, a física, à química, enfim, a ciência que conhecemos, por NADA, e ainda afirma que a culpa disso tudo é um sistema econômico, no caso o capitalismo (nada a ver uma coisa com outra), então só podemos concluir que a Teoria Crítica é puro papo-furado.
Agora vamos prosseguir com a análise da palestra.

Marcos Nobre: A Teoria Crítica nos mostra duas tendências ao descrever o mundo como ele é:
1ª Tendência, perenizar os obstáculos que nos impedem de evoluir ou transformar o mundo.
2ª Tendência, potenciais de ação que vão permitir superar esses obstáculos.
Karl Marx

Pensador Livre: Essas são as únicas tendências que a Teoria Crítica consegue ver em sua singela tentativa de descrever como o mundo é (seu foco na verdade é descrevê-lo como deveria ser): sendo que a primeira tendência se refere à Teoria Tradicional, que quer “atrasar” o mundo, e a segunda tendência se refere à teoria Crítica, que quer fazer o mundo “avançar”.
Segundo ele, basta isso para descrever como o mundo é.
Se alguém já tivesse dito isso para os homens das cavernas, quantos milênios de “retrocesso” teriam sido evitados, né?

Marcos Nobre: Ao mostrar como o mundo é, ela mostra como ele deveria ser, alcançar o mundo melhor que está escrito nesse mundo presente. Ela só se confirma nas transformações das estruturas sociais vigentes. A Teoria Crítica propõe conflitos políticos e sociais para alcançar o melhor do mundo que está embutido nele.

Pensador Livre: Para a Teoria Crítica, a Teoria Tradicional foi criada dentro de um contexto social capitalista, logo, a Teoria Crítica propõe conflitos políticos e sociais (luta de classes) para opor-se à suposta influência capitalista da Teoria Tradicional.
Para ilustrar isso, embora o palestrante não entre nessa questão diretamente, o chamado socioconstrutivismo (que é a aplicação da Teoria Crítica na educação escolar) prevê “conflitos políticos e sociais” em todas as matérias de escola, como matemática, física, química e etc. Ou seja, ao invés de 2+2, em matemática, o aluno vai aprender sobre políticas sociais (já ouviu falar em etnomatemática?). Em biologia, ao invés de aprender sobre animais vertebrados e invertebrados, reprodução sexuada e etc, o aluno vai aprender  sobre políticas sociais, como direito ao aborto, ideologia de Gêneros, por exemplo, além do tal politicamente correto e etc.

Socioconstrutivismo.
Clique aqui para ver o vídeo (é de chorar).
Marcos Nobre: A liberdade e igualdade só serão possíveis com a abolição do capital.
Segundo Horkheimer, o criador da Teoria Crítica, produz teoria crítica todo aquele que quer continuar a obra de Marx.
Duas categorias de teoria crítica:
1ª - Designa um campo teórico anterior a Horkheimer, no caso, Karl Marx;
2ª - Horkheimer dá sua própria versão da teoria de Marx.
A verdade é temporal e histórica, razão pela qual não pode seguir uma lista de teses.

Pensador Livre: A questão do capital falaremos posteriormente, mas no momento vamos refletir sobre a última frase acima. Como é possível perceber, ela não tem sentido algum, basta levar em consideração o que é dito logo antes, pois, se a verdade é temporal e histórica (tem prazo de validade e varia conforme determinados períodos), então não é e nunca será absoluta, correto?
Mas e Marx?
Se a ideia é continuar a obra de Marx, então existe uma verdade potencialmente absoluta, a qual deve estar permanentemente ligada e submetida a Marx.
 Clique na imagem e descubra que existem verdades absolutas
Clique aqui e descubra que existem verdades absolutas.
Portanto, existem verdades absolutas, como o marxismo, certo?
Assim, a afirmação de que a “verdade é temporal e histórica” não vale quando se trata de marxismo (malandrinho, né?).

Marcos Nobre: O teórico crítico acompanha os movimentos históricos, e, portanto, está sempre mudando. Se repete o que outro teórico crítico disse antes dele, então não é teórico crítico. A ideia é romper com Marx radicalmente, ou seja, romper com suas previsões, mas NÃO romper com seus princípios críticos.

Pensador Livre: Bem, nem é necessário falar muito a respeito.
Ele disse romper RADICALMENTE com Marx, certo?
Pois é, cadê o radicalismo?

Marcos Nobre: Segundo Marx, o capitalismo organiza toda a vida social em torno do Mercado. Entender o Mercado para entender a sociedade capitalista. O Mercado é o centro do capitalismo, e por consequência, o centro da sociedade capitalista. O centro do Mercado é a mercadoria. Entendendo essas coisas, então será possível entender como funciona o poder político, a forma do Estado, os papéis da família e da religião e assim por diante.

Pensador Livre: Para definir mais adiante o papel do capitalismo na Teoria Tradicional, o palestrante vai nos explicar o que é o capitalismo, começando com o parágrafo acima.
Entretanto, a afirmação marxista de que o Mercado é o centro da sociedade capitalista é equivocada, pois a sociedade não é capitalista, ela pode adotar o capitalismo como uma forma de reger sua economia, mas nunca para reger a sociedade, pois o capitalismo é uma consequência da própria sociedade e não o contrário.
Veja bem, a estrutura social básica mundial, capitalista ou não, em qualquer época ou cultura, é formada em torno do núcleo familiar (célula mater de qualquer sociedade) e da necessidade de sobrevivência de seus membros. O capitalismo é apenas a forma mais complexa e aprimorada para garantir essa necessidade.
Tudo gira em torno do Mercado?
Não, tudo gira em torno da família e de sua sobrevivência, com ou sem Mercado, pois sem família, não existe sociedade (por isso Horkheimer quer destruí-la). A estrutura familiar básica (homem, mulher e filhos) vem antes de qualquer forma de Estado ou sistema econômico, vem antes mesmo da própria civilização humana. Assim fica fácil entender por que toda sociedade segue o mesmo princípio familiar básico, sejam índios, esquimós, orientais e ocidentais, seja na Grécia antiga, Roma ou feudalismo, pois havendo família existe sociedade; não havendo família, não há sociedade (com ou sem Mercado).
Quanto à religião, é fácil perceber que também não está vinculada ao Mercado, razão pela qual existem diversas religiões, totalmente diferentes entre si, vivendo hoje em dia debaixo de economias capitalistas, mas que não foram criadas pelo capitalismo e existem desde muito antes dele, algumas desde a era do bronze, como, por exemplo, a religião judaica.
Logo, não é o Mercado que define os papéis da família, religião ou sociedade.
Essa é a paralaxe cognitiva comum do marxismo, que é inverter os polos das coisas, pois procura atribuir ao capitalismo as características próprias do marxismo, pois é o marxismo que procura definir arbitrariamente o que é sociedade e assumir o controle do destino do Homem, contrário a sua própria natureza. Aliás, como veremos adiante, nada é “natural” para a Teoria Crítica.
Marcos Nobre: Todo valor e crença têm de se subordinar à lógica da troca mercantil. Para compreender melhor isso é importante entender a mercadoria.
Se a mercadoria é o centro, então todo produto é apreciável, tem um valor.

Pensador Livre: Todo valor e crença têm de se subordinar à lógica da troca mercantil, é isso?
Será mesmo?
A ideia de dar valor às coisas é uma característica humana, por excelência, pra nós sempre tem coisas que gostamos mais e outras menos, também tem pessoas que gostamos mais e outras menos. É natural (e inevitável) que essa ideia de valor, tão humana, se reflita em tudo aquilo que o Homem fizer, inclusive em questões econômicas, afinal, foi o Homem quem criou o dinheiro e não o contrário. O dinheiro existe desde antes de haver capitalismo (surgiu para facilitar as trocas que as pessoas faziam). A frase ficaria correta se fosse assim: toda ideia de valor é uma característica humana e tudo se subordina a ela, inclusive a troca mercantil.
Os marxistas tem uma tendência de sempre retirar do Homem a sua responsabilidade em relação a várias questões, um exemplo é tratar o capitalismo como se fosse uma entidade autônoma, livre da vontade humana, ao invés de sua criação.
Clique e veja um documentário completo sobre Holodomor.
O marxismo é repleto de contradições, aqui tem uma bem triste: Stalin (marxista) cercou a Ucrânia em 1932-33 e impediu a entrada de alimentos por um ano e roubou a produção agrícola deles e a exportou para outras nações, obtendo grande lucro. Nesse evento foram cerca de sete milhões de ucranianos mortos pela fome (alguns dizem que foi quatorze milhões, pois muitas pilhas de corpos não foram contadas). Tal fato histórico ficou conhecido como Holodomor.
Por que Stalin fez isso, se o marxismo não se subordina à suposta troca mercantil?
Marcos Nobre também acrescentou a Crença como subordinada a troca mercantil, taí algo que eu queria vê-lo provar (será que está usando o bispo Macedo, esquerdista e cabo eleitoral da Dilma, como referência?). O cristianismo vem antes do capitalismo e o judaísmo existe desde a idade do bronze, e aí?
Apenas a economia é subordinada à troca mercantil, obviamente, e ambas são criações humanas feitas para facilitar a troca de excedentes de produtos que as pessoas produziam, por outros produtos que não produziam.
E qual o problema disso?
Sejam muçulmanos, hindus, chineses, coreanos ou soviéticos, enfim, todo mundo sempre precisou comprar ou vender alguma coisa, o problema surge quando a maldade humana perde o controle, como no exemplo de Stalin (marxista), logo acima.

Marcos Nobre: Força de trabalho: a capacidade física e mental do homem para produzir mercadorias.
No final do século XV, na Inglaterra, uma grande massa de camponeses foi expulsa das terras que ocupavam, sem ter acesso à terra e aos instrumentos de trabalho, foram obrigados a se deslocarem para as cidades. Quando chegaram às cidades e encontraram as indústrias, só podiam vender o único bem apreciável que possuíam: sua força de trabalho.
Ao vender sua força de trabalho em troca de um salário, tornaram-se operários, não são mais camponeses que garantem sua subsistência, mas operários que são forçados a vender sua força de trabalho em troca de um salário e ao usar seu salário para comprar o que precisam, sustentando o próprio mercado industrial.

Pensador Livre: Se retirar palavras como “forçados” ou “obrigados”, verá que o quadro não fica tão negro.
Segundo Marx, o patrão tem as ferramentas e o trabalhador não tem, logo, o trabalhador é um operário: uma espécie de escravo com salário.
Será que é isso mesmo?
O capitalismo tornou comum algo que, até então, era raro, que é a mobilidade social, ou seja, quem é operário também pode se tornar patrão. Qualquer um que estudar e trabalhar duro conseguirá eventualmente seu lugar ao sol, até mesmo em nosso país isso é possível, difícil, mas possível (aqui o capitalismo não é pleno, é o chamado capitalismo de Estado, comum em ditaduras esquerdistas, como fascismo, nazismo e marxismo).
No socialismo essa mobilidade social é impossível.
O desenvolvimento tecnológico e científico (usado na medicina, engenharia e etc.), tem sido financiado desse modo, e todos nós temos ganhado muito com isso.

Marcos Nobre: A sociedade capitalista se divide estruturalmente em duas classes:
1. Capitalistas são aqueles que detêm os meios de produção, os instrumentos de trabalho e que põem em funcionamento da sua indústria com a força de trabalho que compram.
2. Proletários são aqueles que vendem sua força de trabalho ao capitalista em troca de salário.
Como se divide o mercado nessa sociedade dividida em classes?
Segundo Marx, o Mercado capitalista é um poderoso mecanismo de manutenção das desigualdades. Após o feudalismo, segundo ele, havia uma desigualdade de partida, no caso, aqueles que tinham dinheiro se tornaram capitalistas e aqueles que nada tinham só podiam vender sua força de trabalho. Assim, essa desigualdade de partida ficou congelada.
Ainda segundo Marx, o capitalismo congela essa desigualdade de partida, como também amplia essa desigualdade, pois essa divisão de classes tende a acumular cada vez mais riquezas de um lado e ampliar a pobreza de outro.

Pensador Livre: Existem desigualdades sociais? Sim, existem. Surgiram com o capitalismo ou sempre existiram? Sempre existiram, obviamente e, segundo Marx, essa desigualdade que sempre existiu é chamada de Desigualdade de Partida, que o capitalismo, ao invés de resolver, agravou.
Agravou mesmo?
No passado era possível ser rico por nascença ou espólios de guerra, e só. A pobreza sempre foi o padrão da sociedade humana antes do capitalismo, entretanto, com o advento do capitalismo, surgiu uma nova classe social oriunda da classe trabalhadora, no caso, a classe média. Seu nascimento foi a partir do comércio entre os feudos, onde foi, também, o embrião do capitalismo.
Naqueles tempos (feudalismo), havia basicamente duas classes sociais: os nobres e os plebeus, onde a riqueza dos nobres vinha basicamente da cobrança de impostos da plebe, pois apenas os nobres eram donos de terras. Mas o comércio fez surgir uma terceira classe social, no caso, os comerciantes (a classe média da época). Então, pela primeira vez, passou a existir riqueza fora da nobreza, plebeus também começaram a fazer fortuna, sem a cobrança de impostos do povo.
Assim surgiu o capitalismo.
Ou seja, no capitalismo esse leque de progresso individual expandiu-se enormemente gerando uma quantidade muito maior de oportunidades para o povo. Foi assim no passado e também é assim no presente, como nos EUA, por exemplo, que é conhecido como A Terra das Oportunidades.
Essa desigualdade de partida só poderia ser resolvida com o capitalismo, como ocorreu em países como: EUA, Suécia, Noruega, Finlândia, Japão e etc., pois nesses lugares, houve, de fato, o capitalismo, nesses lugares houve, de fato, um real combate às desigualdades.
Esse progresso individual, que gera progresso econômico e anula, por consequência, as desigualdades sociais, só pode ocorrer se for buscado intencionalmente, deixando o capitalismo livre, pois aí é possível construir um país próspero e justo, como, por exemplo, os países citados acima. Mas se a ideia é perpetuar a desigualdade, como projeto político de poder, então basta seguir o modelo brasileiro, onde temos um capitalismo comandado por marxistas há 30 anos (capitalismo de Estado), de modo que a acumulação de riquezas de um lado e a extrema pobreza de outro são planejados para que nos faça parecer que o capitalismo não funciona e que não é justo. Ou seja, uma desigualdade social proposital, planejada e perpetuada, para fazer parecer malandramente que o socialismo é a resposta.
Marcos Nobre: O capitalismo aparece falsamente, como uma forma de oportunidades iguais a todos, pois o Mercado aparece como uma instituição neutra, com oportunidades de trocas de mercadorias de igual valor, de modo a haver sempre uma troca justa.
O Mercado capitalista promete os ideais máximos da sociedade burguesa, que são: Liberdade e Igualdade. Marx vai provar que esses ideais são falsos, pois o proletário não tem liberdade para decidir se vende ou não sua força de trabalho, pois caso não decida vendê-la, morrerá de fome.

Pensador Livre: Será mesmo?
Se um indivíduo, que nasceu pobre, resolve estudar e trabalhar muito, ele não pode vencer na vida? Mesmo no contexto socialista brasileiro?
É evidente que pode, Sílvio Santos, que foi camelô, está aí para provar.
No capitalismo verdadeiro, quem luta por seu lugar ao sol, eventualmente, chegará a algum lugar.
É importante a mobilidade social para o capitalismo, pois as distâncias econômicas entre as classes sociais prejudicam o mercado consumidor, por isso a pobreza é ruim para o capitalismo.
Quer um exemplo?
Canadá
O Canadá é um país com cerca de 37 milhões de pessoas, enquanto que o Brasil tem 200 milhões, aparentemente, o mercado consumidor brasileiro é MUITO maior. Entretanto o mercado consumidor canadense atrai muito mais investidores que o brasileiro, pois lá, que é capitalista, não há pobreza, por isso sua população tem alto poder aquisitivo e isso gera um mercado consumidor atrativo. Em nosso país, com a economia controlada pelo governo, a pobreza é a regra, logo, não há poder aquisitivo e, por consequência, um mercado consumidor pouco atrativo.
As desigualdades sociais são prejudiciais para o capitalismo, mas muito úteis para o socialismo.

Marcos Nobre: Quando alguém se candidata a uma vaga de emprego, concorrendo com outros 5000, não terá igualdade na negociação, pois será apenas uma vaga para 5000 candidatos, ao invés de 5000 vagas. Assim, o Mercado não realiza essa liberdade, mas apenas promete. A Teoria Crítica não promete uma sociedade ideal, mas pretende realizar aquilo que o capitalismo promete, mas não cumpre.
Estrutura da Ilusão Socialmente Necessária: o capitalismo promete essa ilusão, mas a cada processo que se desenvolve, ele rouba essa liberdade e igualdade.

Pensador Livre: Essa palestra está bem dentro do pensamento esquerdista brasileiro, pois conta com o falso capitalismo que vivemos para reforçar seus falsos argumentos. É o velho truque  de acusar os outros daquilo que fazem.
Veja bem, o capitalismo rouba a liberdade e a igualdade no Canadá capitalista?
Não, não rouba.
Existem liberdade e igualdade na Coreia do Norte marxista?
Não, em grau algum.
Pois é.

Marcos Nobre: Marx falou que não é necessário planejar sociedades ideais, basta realizar aquilo que o capitalismo promete e não cumpre.

Pensador Livre: Não é necessário planejar sociedades ideais?
HÁ HÁ HÁ HÁ HÁ HÁ HÁ HÁ HÁ HÁ HÁ HÁ HÁ HÁ HÁ HÁ
Os marxistas não fazem outra coisa a não ser isso!
Querem controlar tudo, absolutamente tudo, desde o que podemos ou não falar (politicamente correto) e chegam ao cúmulo de querer determinar arbitrariamente se um homem pode ser homem e se uma mulher pode ser mulher, além de tirar dos pais o direito legítimo de educar seus próprios filhos, seja em questões sexuais, morais ou religiosas.
Essas são medidas ditatoriais!
E o curioso é que NADA disso tem a ver com capital, NADA disso tem a ver com economia.
Querem controlar o Homem por completo e assumir plenamente o controle dele desde o seu nascimento até a sua morte, seguindo uma visão de sociedade planejada, controlada e totalmente desprovida de liberdade. Isso apenas reforça o caráter ideológico da Teoria Crítica, deixando evidente mais uma vez que nada tem de científica.
Essa suposta ideia de descrever o mundo a partir do que ele DEVERIA SER, nada mais é que uma imposição arbitrária daquilo que o mundo TEM QUE SER, dentro da visão subjetiva dos marxistas, quer as pessoas concordem ou não.

Marcos Nobre: Para descrever o mundo como ele é, basta descrever o Mercado como funciona.

Pensador Livre: Para descrever como o mundo é, basta descrever o Mercado como funciona?
Nada mais fora da realidade do que isso.
Muitos falam que o consumismo, que é culpa do Mercado, transforma as pessoas em objetos.
Será mesmo?
O cafajeste que despreza o sentimento de uma mulher e a trata como objeto, não faz isso por causa do capital, mas por má índole. Semelhantemente, a mulher “vadia” (celebrada e louvada pelas feministas em suas “marchas”) faz o mesmo com os homens, e isso tem a ver com o capital? Não, mas com má índole também, afinal, a história nos ensina que esse costume de tratar outros seres humanos como coisas vem desde a pré-história (a escravidão é um exemplo).
O que isso tem a ver com o capital? Pois é, nada!
Aí o marxista vai dizer, então, que a ideia da busca pelo poder é que é capitalista, pois é uma consequência do Mercado e do consumismo.
Será mesmo?
Assim que Lênin morreu teve início uma luta pelo poder entre a principal liderança do partido comunista, no caso Stalin e Trotsky, onde Stalin, além de matar Trotsky, mandou matar os apoiadores de seu rival (e até quem não era apoiador, por precaução). Essa busca por poder foi por causa do Mercado? Sendo que era um país socialista?
A ideia de luta por poder é a máxima do comunismo, razão pela qual ninguém matou mais comunistas do que os próprios comunistas.
Hitler, cujo nome de seu partido era Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (a sigla em Alemão era NAZI), queria se impor ao mundo por causa do Mercado? Não, por causa de poder, usando o racismo como justificativa. Ele aplicou ao seu racismo à ideia marxista de luta de classes (assim como os marxistas também fazem hoje em dia ao colocarem gays contra héteros; negros contra brancos; mulheres contra homens, jovens contra “adultos” e etc., enfim, luta de classes).
Isso tudo tem a ver com o Mercado? É óbvio que não, mas com a conquista do poder e a subjugação completa de outras pessoas.
Mas nunca houve luta por poder no capitalismo?
O capitalismo é santinho?
O capitalismo não é uma entidade autônoma, mas dirigida por homens, por pessoas reais, assim como o marxismo também é, por isso, também há luta por poder em países capitalistas.
Tudo isso por causa do Mercado?
Não, por causa da maldade humana, pois capital, poder, racismo... Não importa a justificativa, sempre foi pelo desejo do ser humano em querer estar acima de seus semelhantes para subjugá-los.
Ao contrário do que alguns marxistas ainda defendem, não existe o "bom selvagem".

Marcos Nobre: Mas descrever o funcionamento do Mercado não basta para entender o mundo, é preciso ver que o Mercado tem uma estrutura onde ele bloqueia aquilo que promete, no caso, a liberdade e a igualdade. Aqueles que apenas descrevem o mundo como ele é (Teoria Tradicional), os teóricos críticos chamam de positivistas.
Teoria Tradicional

Pensador Livre: O que Marcos Nobre que dizer é que os “positivistas” são aqueles que defendem a técnica, no caso, o conhecimento técnico sem “humanidade” (ou sem “conflitos sociais”).
Quanto à ideia de liberdade e igualdade, mencionadas nesse parágrafo, já falamos sobre isso mais acima.

Marcos Nobre: A Teoria Crítica fica entre Cila e Caríbdis para não afundar, ou seja, os “positivistas” de um lado, os utópicos de outro e os teóricos críticos no meio.

Pensador Livre: Cila e Caríbdis são monstros da mitologia grega que afundavam navios, Cila de um lado e Caríbdis do outro, de modo a não haver escapatória para os navegantes. Nesse exemplo, o palestrante quer dizer que os positivistas (técnicos sem coração) ficam de um lado, os utópicos (aqueles que planejam sociedades perfeitas) ficam de outro e os teóricos críticos (os salvadores da humanidade) não estão em extremo algum, mas entre os outros dois.
Bem fantasioso, né?

Marcos Nobre: Para Marx, a liberdade e a igualdade só serão possíveis com a abolição do capital, e essa abolição só será possível através da revolução.

Capitalismo de Estado
Pensador Livre: Lênin foi o primeiro a fazer essa “revolução”, mas não conseguiu abolir o capital, aliás, país comunista algum conseguiu até hoje. Por quê? Simples, o socialismo como sistema econômico não funciona e não tem como funcionar, por isso que os socialistas focam seus esforços no marxismo como ideologia cultural (Marxismo Cultural), como forma de dominação política e social, mas, na prática, usam e sempre usarão o capitalismo como modelo econômico, pois esse funciona (mesmo que seja de uma forma corrompida, no caso, o capitalismo de Estado).

Marcos Nobre: Essa estrutura do capitalismo pode mudar através dos acontecimentos históricos e o teórico crítico deve ficar atento a essas mudanças. Assim, o teórico crítico deve ser capaz de produzir diagnósticos precisos, conforme essas mudanças ocorrem. Esse fato permitiu a Horkheimer formar os princípios da Teoria Crítica.
O capitalismo foi o primeiro a propor uma ideia de igualdade e liberdade, mas pela sua lógica de funcionamento, ele impede que isso se realize, assim, a Teoria Crítica propõe uma emancipação da sociedade para que seja de fato possível cumprir aquilo que o capitalismo promete.

Pensador Livre: Nem é preciso comentar muito aqui, ele admitiu que o capitalismo foi o primeiro a propor uma ideia de igualdade e liberdade, mas jamais vai admitir que os países que focaram sua economia no capitalismo, realmente conseguiram esse feito, pois prosperaram economicamente e reduziram MUITO as desigualdades sociais.
Mas contra o “capitalismo” inventaram a tal da Emancipação da Sociedade, que é nada mais e nada menos que a imposição de uma mudança de valores (relativismo moral, cultural e etc. para destruição das estruturas do Estado capitalista, no caso a cultura e a família), daí que surgiram a Ideologia de Gêneros, a ideia de que bandido é vítima da sociedade, liberação das drogas e outras pérolas que conhecemos. Mas percebe-se claramente que essa tal Emancipação da Sociedade nada tem a ver com capital, mas com dominação social, ou seja, poder sobre o indivíduo.
Clique e veja um exemplo de totalitarismo socialista no Brasil.
Entretanto uma coisa interessante a se observar é que ele fala do capitalismo, como se não fosse um sistema econômico, mas uma ideologia, como o marxismo é, que quer dominar e controlar tudo. Porém, o capitalismo atua apenas nas relações comerciais, isso está claro, não define valores morais, crenças, sexualidade e etc. O marxismo é que vai além das relações comerciais, pois toma para si o direito de reger o ser humano por completo, intrometendo-se em tudo aquilo que o Homem pode ser, crer, pensar, agir e viver. O marxismo, por ser uma ideologia, como já foi dito, também usa o capitalismo como sistema econômico, como a China faz.
É importante deixar claro, porém, que o caráter ideológico que o ocidente possui, no caso, a ideologia definida como “direitista” não vem do capitalismo, mas é o chamado Pensamento Ocidental, oriundo da Filosofia Grega, do Direito Romano e da Religião Cristã, é daí que vem os ideais de liberdade e igualdade que só o ocidente realmente conseguiu alcançar, tendo no capitalismo uma importante ferramenta para esse fim.
O capitalismo é um sistema econômico tão eficiente, que pode ser usado por qualquer ideologia, até mesmo pelo marxismo.

Marcos Nobre: Sem essa perspectiva de emancipação não é possível sair da ilusão do capitalismo.

Pensador Livre: Na verdade, a ideia não é sair do capitalismo realmente, pois economia marxista alguma se sustenta sem ele, mas a ideia é desfazer-se do Pensamento Ocidental e também da ciência desenvolvida até agora (Teoria Tradicional).
Segundo Kant não existe verdade, logo, nem a ciência pode ter o status de verdade também.
A suposta “maldade” do capitalismo é só um pretexto para que possam justificar a criação de uma sociedade toda nova, destruindo tudo que conhecemos.
Criaram dois personagens míticos: Karl Marx, como se fosse São Jorge, e o capitalismo, como se fosse o dragão.

Marcos Nobre: 1º Princípio da Teoria Crítica: Orientação para emancipação da sociedade.
O teórico crítico se orienta por essa emancipação. Essa orientação permite ao teórico a efetiva compreensão daquilo que precisa mudar.

Pensador Livre: Na verdade, não são orientados e nem orientam emancipação alguma, mas determinam e impõem valores novos e arbitrários para a implantação de sua nova sociedade.

Marcos Nobre: 2º Princípio da Teoria Crítica: Para obter essa emancipação, deve-se manter um comportamento crítico em relação a tudo que existe.

Pensador Livre: Como já foi dito anteriormente, TUDO está em xeque, todos os pilares da sociedade ocidental (oriental também), além de tudo que foi descoberto até aqui, enfim, TUDO QUE EXISTE. A própria existência está em xeque, pois, segundo Horkheimer, em sua obra Teoria Crítica e Teoria Tradicional: “para esse comportamento que é chamado de crítico, este mundo existe, mas não deve ser aceito”.
Durma-se com um barulho desses.

Marcos Nobre: A ideia com isso não é meramente descrever o mundo, mas definir suas potencialidades melhores.

Pensador Livre: A ideia é definir arbitrariamente o que é certo, errado e até mesmo o que é real e o que não é. Simples assim.

Marcos Nobre: O teórico crítico não pode aceitar aquilo que é como um dado, como algo natural, tem que tomar isso que é, como um índice do que poderia ser, do que poderia ser, melhor.

Pensador Livre: Foi dito anteriormente que tudo que existe é criticável, certo?
O palestrante não estava brincando quando disse isso, pois tudo que existe (aquilo que é) não pode ser aceito como algo natural, mas apenas como um índice do que “poderia ser”, no caso, o que poderia ser, melhor.
A prepotência desse pensamento é assustadora e suas consequências também.
Nada é natural?
Por isso que homem não é mais homem e nem mulher é mais mulher, mesmo que tenham órgãos sexuais diferentes, sistema reprodutivo, cromossomos e hormônios provando o contrário.
Você, leitor, consegue imaginar a dimensão desse tipo de pensamento?
Pois é, a natureza está errada ou simplesmente não existe.
Então os eco terroristas, que são esquerdistas, lutam pelo quê?
Marcos Nobre: O teórico vai examinar de maneira crítica tanto o conhecimento produzido sob as condições sociais capitalistas, quanto a realidade que esse conhecimento pretende apreender.

Pensador Livre: Entende-se por conhecimento, tudo aquilo que o Homem produziu até este momento, no caso, a Teoria Tradicional. Esse conhecimento, segundo ele, foi produzido em condições sociais capitalistas. Assim, eles se acham no direito de criticar socialmente TODA a ciência produzida até hoje. Assim, vai criticar “socialmente” a astronomia, a física, matemática e etc.
Tudo começa e termina em “relações sociais”, ou seja, “luta de classes”.
Absurdo!

Marcos Nobre: A Teoria Tradicional tem como um de suas principais características a ideia de causa e efeito, mas o que coloca essa ideia em xeque é a sociedade, no caso, as relações humanas.
Como um cientista pode analisar essas relações humanas se ele também é um agente dela. Como tratar um evento social, como se fosse um evento da natureza? Ou seja, a análise do fenômeno social, pelo cientista tradicional, não pode ser influenciada pela análise do mesmo cientista na condição de cidadão. Então aqui surge a separação entre teoria e prática.

Mikhail Bakunin
Pensador Livre: Segundo a ideologia de Gêneros, por exemplo, a sexualidade é uma condição social e não da natureza, ou seja, a biologia pode ser simplesmente ignorada.
(Como deve ter reparado, caro leitor, meus exemplos focam mais a Ideologia de Gêneros do que outras “doutrinas” marxistas. Por que faço isso? Simples, apenas por ser o fator mais fácil de perceber no dia-a-dia, mas a Teoria Crítica, como já foi dito pelo palestrante, não se limita apenas à sexualidade, mas abrange tudo que existe).
O palestrante critica o fato de que o cientista tradicional também é um agente social, e isso é verdadeiro, aliás, como poderia ser diferente? Colocando um robô para fazer o trabalho dele? Se for humano, então é um agente social.
A questão não mencionada, porém, é que o teórico crítico também é um agente social, obviamente. Aliás, como já vimos, ele ainda se acha no direito de criticar socialmente TODA a ciência humana, pois todo o conhecimento humano, segundo ele, foi produzido em condições sociais capitalistas.
Contradição marxista padrão.

Marcos Nobre: Método Científico tradicional:
- Observação;
- Avaliação
Separar
- Domínio do conhecimento
Do
- Domínio da ação.
Se o cientista tradicional abandona esses princípios, ele deixa de ser um cientista e passa a ser um agente social, a investigação e valorização de seu objeto de estudo passam a ser rigorosamente separados. Segundo Horkheimer (seguindo Marx e a Teoria Crítica), a Teoria tradicional não é errada, mas parcial, ou seja, adapta o pensamento à realidade, justificando, assim, o que existe.

Pensador Livre: A crítica, no caso, é porque a Teoria tradicional adapta o pensamento à realidade, certo? Mas se o pensamento não acompanha a realidade, adaptando-se a ela, então vai se adaptar a que? Se a realidade é o problema, então a fantasia é a solução?
A fantasia é bem melhor
O pensamento marxista resume-se em pegar o pensamento kantiano, onde o mundo externo não existe, para justificar a ideia de destruir a sociedade como conhecemos, substituindo-a por uma nova sociedade, onde eles, os marxistas, seriam donos de tudo, inclusive do Homem.
No parágrafo acima, onde o palestrante diz que a Teoria Tradicional justifica o que existe, a ideia, na verdade, é criticar o capitalismo, tratam a Ciência como se ela “justificasse” o capitalismo e, por tabela, a luta de classes também. O teórico tradicional não pode ser um agente social, mas para o teórico crítico, TUDO é uma questão social.
A ciência, no caso da Teoria Tradicional, tirou o Homem das cavernas e o colocou na Lua, trouxe avanços e benefícios para toda a espécie humana, de modo que um cidadão médio, um homem comum, tem acesso a médicos, dentistas, luz elétrica, sabonete, creme dental, internet e etc., que são coisas que os reis e nobres da Renascença ou do Império Romano nem sequer sonhavam.
Uma pessoa comum, hoje, vive melhor do que os grandes reis do passado.
A Teoria Tradicional trouxe evolução ao Homem em todos os níveis e a Teoria Crítica NADA tem para colocar no lugar (a menos que possam criar outra realidade, outro universo, enfim). A Teoria Crítica, na verdade, não é uma teoria científica, mas um instrumento ideológico de reengenharia social, não atua em um campo de estudo específico, mas é um método de transformação do ser humano. Se fosse apenas uma teoria, como alega, então pegaria as supostas falhas da Teoria Tradicional e proporia novos métodos, mas não é isso que fazem, pois, segundo eles, TUDO é criticável e substituível, pois é fruto da sociedade capitalista que visa prolongar a luta de classes.
Quanta besteira!!

Marcos Nobre: Para Horkheimer a Teoria Tradicional, que pretende ser neutra, pretende apenas descrever a sociedade, ou seja, ela termina por adaptar o pensamento à realidade, justificando o que existe resignando-se à presente forma de dominação.

Pensador Livre: Parece que a realidade é um problema sério para eles.
Essa suposta resignação não existe, o pensamento científico (Teoria Tradicional) estuda a realidade, apontando pontos fracos e fortes, de modo a buscar uma solução para o bem estar do Homem.
É assim que a ciência avança.
E isso foi usado pelo Homem ao criar o capitalismo, onde em países que ele funcionou livremente, não há miséria.

Marcos Nobre: A presente forma de teoria (Teoria Tradicional) acaba por justificar a divisão de classes.

Pensador Livre: É difícil achar alguma lógica nessa afirmação. É sério, é difícil mesmo!

Marcos Nobre: Segundo Marx, ideologia é quando ocorre a naturalização daquilo que é histórico, no caso, o Mercado como centro da sociedade, a divisão de classes e etc. Essa ideologia, da Teoria Tradicional, não é consciente, como se houvessem capitalistas malvadões conspirando contra o mundo, mas essa afirmação, de que o mundo é o que é, é uma ilusão criada pelo capitalismo.
Esse papel ideológico é atribuído à Teoria Tradicional.

Pensador Livre: Ou seja, o mundo não é o que é, pois nada é natural, pois o mundo externo não existe, mas se o mundo externo não existe, então por que querem mudá-lo? Se a “práxis” é a única coisa possível, pois é superior ao “pensar”, então por que querem dominar a razão e a mente  humana através dessa ideologia sanguinária que é o marxismo?
Deus criou o mundo, criou a natureza, por isso que tudo que contém neste mundo é “natural”, além de palpável, observável e passivo de estudos. O Marxismo Cultural (Teoria Crítica na cultura), através do relativismo (negação de qualquer ideia de “certo e errado”), procura negar a natureza, ao ponto de colocarem-se no direito de definir a sexualidade das pessoas e suas relações familiares, contrários a natureza (convém deixar claro, porém, que o questionamento aqui não são as escolhas de um indivíduo, um gay ou uma feminista, individualmente falando, mas é questionada essa nova configuração e definição do que é o ser humano, como um todo).
Usando o capitalismo como desculpa, pretendem negar a ciência, que estuda a natureza, para, assim, assumir arbitrariamente o PODER para definir o que é natural e o que não é, a fim de justificar um controle absoluto sobre o ser humano, um controle muito além de relações sociais, mas um controle da mente, do ser, da EXISTÊNCIA humana em toda a sua plenitude, colocando-se no direito de dizer aquilo que o Homem deve ser em toda a sua essência, arbitrariamente e impositivamente.
O Estado socialista tem poderes absolutos, como se fosse uma espécie de divindade.
Diante disso, então o que o mundo é? Ele é aquilo que os marxistas disserem que é, simples assim. Mas para justificar esse domínio sobre a realidade, precisam de um culpado por todos os problemas da humanidade, para assim, colocarem-se como a solução.
O capitalismo sempre foi mera justificativa.
O capitalismo nem é uma ideologia, pois nunca houve um “Karl Marx” para o capitalismo, pois é apenas um sistema econômico. O marxismo, porém, é uma ideologia centrada no controle do Homem, na dominação total do ser humano desde o nascimento até a morte, usando o Estado para exercer essa dominação. A Teoria Tradicional, a ciência, também não é ideológica, pois apenas tenta explicar a natureza (como o mundo é).
Se o Capitalismo e a Teoria Tradicional não são ideológicos, então existe alguma ideologia em oposição ao marxismo?
A chamada ideologia de “direita” não é uma criação do capitalismo, mas o capitalismo é sua consequência. Aliás, esse termo “Direita” é recente, pois o pensamento “direitista”, em sua concepção atual, é, na verdade, o Pensamento Ocidental (esse pensamento não restringe apenas ao ocidente, mas é referência em todo o mundo). Mas o Pensamento Ocidental não surgiu do dia pra noite, pois não tinha a configuração atual na época dos pensadores gregos, nem na época do império romano ou do feudalismo. O Pensamento Ocidental é uma consequência de tudo isso, sendo oriundo basicamente da filosofia grega, do direito romano e da ética judaico/cristã. Como é fácil imaginar, esses conceitos NÃO foram criados juntos, pelos mesmos autores, na mesma época e em concordância entre si, mas sua junção deveu-se através das próprias necessidades do Homem,  sociais ou econômicas.
A ideologia direitista foi se desenvolvendo através de muitos séculos, de muitas mãos, por muitos pensadores, contextos diferentes, guerras e debates, até chegar a um consenso do que seria melhor para o ser humano. Um processo dialético, enfim: onde sempre que havia uma tese, surgia uma antítese como oposição, dando origem a uma síntese de ambos, que novamente se tornava uma tese em oposição a outra antítese, formando nova síntese, e assim por diante. Ou seja, nunca foi um processo arbitrário e impositivo, conscientemente dirigido pelo Homem (como o marxismo é), mas um processo dialético (tentativa e erro).
Pode-se dizer que o capitalismo nasceu naturalmente, fruto das necessidades do próprio Homem, como uma ferramenta útil, apenas isso.
Marxismo
É importante deixar claro, porém, que o Homem, em essência, é mau, e leis foram criadas para o Homem controlar a si mesmo, caso elas não existissem, nos mataríamos, daí a necessidade do Estado.
É inegável a necessidade do Estado para a civilização humana, entretanto, Estado algum adota o capitalismo para subjugar o povo, pois o capitalismo tem origem no próprio povo (trocas de produtos excedentes no Mercado). A função do Estado, assim, é estabelecer o direito do indivíduo sobre aquilo que ele produz no campo ou na indústria, garantindo seu direito sobre a produção, no caso do patrão; e do seu salário, no caso do funcionário (além da liberdade para o funcionário um dia se tornar patrão).
A vontade geral do povo é a origem de todo o poder (Jean-Jacques Rousseau), é graças a isso que o capitalismo existe.
Em outras palavras, na ideologia “direitista”, não é o Estado quem define o que é um indivíduo ou o que é uma família, pois são conceitos anteriores ao Estado, são conceitos naturais. A função do Estado é proteger o Homem, sua família e  seus bens, estabelecendo a justiça nas relações humanas.
Conforme a concepção direitista, não é função do Estado estabelecer o que é humano e o que não é e muito menos definir o que é real e o que não é.
No Pensamento Ocidental, em oposição ao marxismo, o Estado foi feito para o Homem e não o Homem para o Estado.
Assim, o capitalismo não é o centro da sociedade, nem define relações sociais, pois a ideia de família surgiu junto com o próprio Homem. Também não é o capitalismo que define sexualidade, pois o relacionamento heterossexual, como padrão na natureza, é definido pela biologia, afinal, até gays precisam de pais heterossexuais para nascer. O capitalismo não está relacionado a nada disso, pois caso o mundo se tornasse gay e a família fosse realmente destruída, qual a relação disso com o capital? Nenhuma. A URSS não aboliu o capital, nem a Coreia do Norte, a China ou qualquer outro país comunista, pois nada, até o momento, é mais eficiente que o capitalismo nas relações comerciais.
O capitalismo é amoral (não possui moralidade intrínseca), pois atua conforme a moralidade ou ética pertencente à cultura (ou sistema político) de cada povo.
Mas talvez alguém diga: a divisão por classes existe por causa do capitalismo.
Sistema de castas indiano
Isso é obviamente falso, pois toda sociedade possui hierarquia, seja uma sociedade capitalista ou não, pois essa hierarquização existe até entre índios e esquimós e é ainda mais fechada e rígida em países comunistas. Foi o capitalismo quem trouxe a real possibilidade de mobilização entre as classes, destruindo a ideia de castas, que sempre foi padrão nas sociedades ao longo de séculos anteriores.
O capitalismo só pode ser pleno se não houver uma sociedade de castas, pois essa liberdade entre indivíduos é fundamental para o verdadeiro livre mercado (a divisão de classes mais prejudica do que ajuda o capitalismo, pois é a prosperidade geral do povo que garante um mercado consumidor).
Entretanto, embora a liberdade do indivíduo seja essencial para que o capitalismo seja elevado ao seu pleno potencial, essa liberdade não é produzida pelo capitalismo, mas pela ideologia predominante em cada país, ou seja, o modo como o Estado funciona, pois o capitalismo não é uma ideologia e nem um sistema político/social, como o marxismo é.
Uma coisa deve ficar bem clara: o capitalismo é apenas um sistema econômico, só isso!
No caso brasileiro, por exemplo, nosso sistema político é de ideologia esquerdista (marxista) há trinta anos e, por isso, freia e controla o desenvolvimento econômico de nossa nação para que o capitalismo nunca seja pleno (capitalismo de Estado), para, assim, facilitar a implantação de um sistema ainda mais fechado, no caso, o comunismo.
Nosso povo, porém, em sua maioria, é cristão e, por isso, com forte tendência a ser conservador de direita (mesmo sem saber), ou seja, a favor de um mercado livre e sem intervenção estatal em assuntos como moralidade, religião e etc.

Marcos Nobre: Seguindo toda a tradição da Teoria Crítica, ele vai dizer que a Teoria Tradicional não é errada, mas parcial.

Pensador Livre: Tradição? Mas não foi dito que cada teórico crítico deve ter um pensamento livre do anterior?

Marcos Nobre: A Teoria Tradicional se resigna à presente forma de dominação. A Teoria Tradicional acaba por justificar a divisão de classes como sendo necessária e natural.

Pensador Livre: Isso já foi comentado.

Marcos Nobre: Ideologia (segundo Marx): naturalizar aquilo que é histórico, ou seja, não é natural, mas fruto da história, no caso, o processo histórico.
O que é fruto de um processo histórico? A divisão em classes e a ideia de Mercado, como centro da sociedade. A Teoria Tradicional faz com que isso seja considerado como natural, assim, a Teoria Tradicional realiza um movimento ideológico.

Pensador Livre: Segundo ele, a divisão em classes e a ideia de Mercado são frutos de um processo histórico que a Teoria Tradicional quer transformar em “natural”, logo, isso é um movimento ideológico.
Pois bem, se algo que ocorre dialeticamente, e sem imposição, como o capitalismo, é ideológico, então aquilo que é imposto “na marra”, como o marxismo, é o que?
Percebe?
Enquanto isso nas escolas brasileiras.
O socialismo é uma criação de Karl Marx e os marxistas o querem impor a todos, goela abaixo.
Pra mim, isso é que é ideologia.
Lenin já dizia: “acuse-os daquilo que você é”.

Marcos Nobre: Esse “processo ideológico” não é consciente, como se um bando de caras maus se reunissem para enganar o povo dizendo que o mundo é assim e tal, mas é o capitalismo  quem faz isso.

Pensador Livre: Se esse “processo ideológico” não é consciente, então como pode ser ideológico?
Se não há caras maus enganando o povo, então como o capitalismo pode fazer isso sozinho?
Percebe-se claramente a fraqueza do argumento.
Quem dirige o capitalismo, então?
Se existe uma Internacional Socialista, então por que não existe uma “internacional capitalista”?
Ninguém comanda o capitalismo?
Se não há uma mente por trás, então não tem como ser ideológico, certo?
Se ninguém comanda o capitalismo, então Marx está certo em dizer que o capitalismo é um ser autônomo, com vida própria?
É óbvio que não, pois o capitalismo é apenas um sistema, uma ferramenta útil que qualquer ideologia pode usar, qualquer Estado pode usá-lo e fazer dele o que quiser, pois o capitalismo não é um ser vivo.
Uma pessoa pode usar uma faca para cortar salsinha, mas também pode usar a mesma faca para matar uma pessoa, nesse caso, a faca que é culpada?
Capciosamente, para os marxistas, é como se o capitalismo fosse uma entidade consciente que age de forma independente da vontade humana, uma entidade completamente autônoma (como se a faca no exemplo acima tivesse vida própria).
Eles precisam colocar a culpa em alguém, mas como o capitalismo, ao contrário do marxismo, não é uma ideologia criada detalhadamente por alguém, então dão uma “identidade” ao capitalismo, tratando-o como se fosse um ser consciente, com vontade própria, porém malvado, mágico e sobrenatural.
Uma coisa que marxistas teimam em negar é que, seja o bem ou o mal, TUDO é responsabilidade do próprio Homem, inclusive o capitalismo ou o próprio marxismo.
Se há injustiças em alguns países capitalistas, essa injustiça é causada pelo próprio Homem, pois o capitalismo não define moralidade, pois limita-se a leis de mercado e nada mais, mas o Homem é um ser moral.

Marcos Nobre: Horkheimer, então, atribui essa suposta ideologia à Teoria Tradicional.

Pensador Livre: Horkheimer, que era marxista, foi o criador da Teoria Crítica, certo?
Mas a quem é atribuída a autoria da Teoria Tradicional?
Ninguém, correto?
Karl Marx é o criador do marxismo.
Mas quem é o criador do capitalismo?
Ninguém, correto?
Então onde está a lógica em afirmar que a Teoria Tradicional e o capitalismo são ideológicos?
A Teoria Crítica se considera no direito de criticar tudo, como se nunca tivessem existido críticos no mundo, como se todo o processo histórico da humanidade tivesse sido dirigido por algum ditador desconhecido e sobrenatural.
Nem Deus se intromete tanto assim.
Mas o marxismo, como sabemos, se considera no direito de REGER o mundo, de determinar ao homem o que é certo ou errado e o que é real e o que não é.
Mas afirmam que o marxismo não é ideológico, né?
Apenas idiotas úteis (usando um termo criado pelo próprio Lênin) é que acreditam nisso.

Marcos Nobre: O capitalismo é um sistema social que tem como centro organizado o Mercado. A produção de mercadorias é o foco onde se estrutura essa sociedade.

Pensador Livre: O foco, de toda a sociedade é a família e sua sobrevivência, seja nas sociedades industrializadas, índios, aborígenes e etc. Entretanto, como é impossível produzir tudo que se precisa, então surgiu o comércio.
NINGUÉM IMPÔS ISSO!!!
O núcleo familiar é apenas uma característica do modo de vida humano, que é, aliás, semelhante a de muitos outros mamíferos também.
O mercado só surgiu para facilitar a vida, mas a estrutura básica da sociedade se mantém com ou sem capitalismo.
O marxismo, ao querer alterar as relações sociais humanas, quer, em verdade, mudar o íntimo do Homem, transformando-o em outra criatura, algo fora de sua própria natureza.
Só pra ficar mais clara essa questão de “mudança nas relações sociais”, que o marxismo promove: segundo eles, o capitalismo é a estrutura que sustenta a ideia de Estado, pois a anulação do Estado seria o estágio posterior ao comunismo, o chamado Anarquismo. Todos os regimes comunistas falharam ao destruir a estrutura do Estado (se é que realmente tentaram, pois o endeusamento do Estado, na prática, é que tem sido o objetivo final deles). Segundo Horkheimer, havia uma subestrutura que precisaria ser destruída antes do capitalismo: essa subestrutura é a cultura, pois assumindo o controle apenas do Estado, ainda ficariam livres as universidades, as artes, a imprensa, o direito e etc., então essa subestrutura também precisaria ser destruída, entretanto, mesmo destruindo a cultura, ainda assim, não conseguiriam seu “mundo melhor”, pois existe algo pior que a cultura, o pilar principal, que dá suporte à cultura, que é, no caso, a família patriarcal, monogâmica e indissolúvel.
Resumindo, até os marxistas admitem, que o centro da sociedade capitalista não é o Mercado, mas a família. Por ser a base da sociedade, é a família quem sustenta a cultura e o próprio capitalismo garantindo a existência do Estado. Se você destrói a família, então destrói simplesmente TUDO.
Mas uma coisa intrigante é que querem destruir tudo, com a justificativa de destruir o Estado, mas na prática, não querem destruí-lo realmente, nunca houve esforço algum pra isso, mas é uma justificativa excelente para a destruição da cultura e da família (e estão, aliás, fazendo um excelente trabalho nesse caso).
Não querem destruir o Estado, mas reformulá-lo, transformando-o em uma espécie de divindade, com plenos poderes sobre o Homem em toda a sua essência.

Marcos Nobre: Se o capitalismo é uma forma social que tem como centro organizador o Mercado, nós temos que reconhecer, antes de mais nada, que a produção de mercadoria é o foco, a partir do qual se estrutura essa sociedade, por exemplo. E essa organização da sociedade, em função da produção de mercadorias e do lucro, estrutura a sociedade capitalista em classes, desse modo, qualquer concepção de ciência, como um dos momentos dessa sociedade produtora de mercadorias é, da perspectiva crítica, parcial. Ela não vai compreender a si mesma.
Qual a natureza do conhecimento que estou produzindo? Essa é a natureza da Teoria Crítica: conhecer a si mesma.

Pensador Livre: É óbvio que isso é falso, pois o capitalismo não é uma “forma social” e nem define qualquer concepção de ciência, por acaso o astrônomo que estuda uma supernova em Alfa Centauro está promovendo a “dominação” do capitalismo?
Políticas sociais da Esquerda
Esse papel cabe ao marxismo, pois se delega ao Estado a autoridade para definir o que é o ser humano e quais relações sociais são permitidas, e indo mais além, ao se julgar no direito de definir a própria realidade ao negar o que o “mundo é” e arbitrariamente impondo aquilo que o “mundo deveria ser”, não seria essa a mais sublime definição de dominação?

Marcos Nobre: A Teoria Tradicional não vai questionar uma sociedade produtora de mercadorias, pois julga que estará ultrapassando a fronteira do conhecer em direção do agir.

Pensador Livre:  Isso simplesmente não tem sentido, a Teoria Tradicional tirou o homem de dentro das cavernas e o colocou na Lua, de que fronteira ele está falando?

Marcos Nobre: Mas o teórico crítico dirá que se não colocar esse problema, então não vai entender o mundo como ele é, como realmente funciona e não como você acha que ele realmente funcione.
A Teoria Tradicional ao ignorar as influências sociais e históricas na produção de conhecimento, ela ignora também, ao supostamente dizer-se objetiva e sem valoração, ela ignora, sem perceber o caráter de classes na sua produção de conhecimento. Não na forma do cientista ser imparcial em sua busca por conhecimento, mas pelo fato de que ele próprio é um agente social.

Pensador Livre: Se existe ação humana envolvida, então existe ação social, certo? Se isso é ruim, então por que o marxismo adota o nome de “socialismo”?

Marcos Nobre: A produção científica tradicional é parcial.
Aparência é ilusão, assim como o capitalismo é ilusório, onde promete igualdade e liberdade, quando sonha isso tudo na prática.

Pensador Livre: É um sonho ilusório que se tornou real na Noruega, por exemplo. E aí? Lá existe igualdade e liberdade e não há pobreza, por exemplo. Na união soviética, porém, não havia liberdade, igualdade, havia muita pobreza, além de 100 milhões de mortos, assassinados pelo seu próprio governo e em tempo de paz.
Como a Teoria Crítica explica isso?
Além dessa evidente contradição, há ainda outras que o palestrante não responde, por exemplo, ele diz que não pode separar o pensar do agir, mas a Teoria Crítica, só critica, ou seja, só fala, mas não age, afinal, qual proposta a Teoria Crítica possui, além de apenas criticar a Teoria Tradicional? Até agora, nenhuma proposta. Ele também diz que o cientista tradicional não pode ser imparcial, pois é um agente social, mas como o teórico crítico resolve esse problema? Como vimos no início, o teórico crítico, além de não resolver esse problema, ele o agrava ainda mais ao reduzir TUDO a questões sociais.
Pra finalizar esse assunto, ele insiste em dizer que o capitalismo é ruim e, por isso, a Teoria Tradicional também é.
Mas o que uma coisa tem a ver com outra?
Pois é, nada, afinal, ciência é uma coisa e sistema econômico é outra. Além disso, o capitalismo não é mau, mas os homens é que são maus, pois se os marxistas (homens bem malvados), que mandam em nosso país, deixassem o capitalismo florescer, então haveria igualdade e liberdade em nosso país, como ocorre nos EUA, por exemplo, que tem um território maior que o brasileiro, além de 150 milhões de pessoas a mais, e mesmo assim, é um sucesso econômico e social.
Marcos Nobre: A ideia, no fundo, segundo Horkheimer, é dar à Teoria Tradicional a consciência concreta de sua limitação, sobre seus pressupostos supostamente neutros, mas na verdade, valorativos, ou seja, divisão de classes.

Pensador Livre: É interessante ver Marcos Nobre colocar a Teoria Tradicional como culpada por tudo, em momento algum, porém, ele consegue provar a veracidade disso, ou seja, é uma afirmação completamente desprovida de fundamentação.

Marcos Nobre: O objetivo é que a Teoria Tradicional possa superar a sua função de mera legitimação da dominância, que é assumido por ela desde o momento em que se colocou na posição pretensamente objetiva e neutra.
A Teoria Crítica não se comporta criticamente apenas em relação ao conhecimento produzido sob condições capitalistas, mas igualmente em relação a própria realidade capitalista.

Pensador Livre: Ou seja, não há teoria, nem há ciência de fato, só a crítica, só a ideologia marxista é que importa, sem contar que essa crítica é toda fundamentada em algo ilusório e fantasioso, que é a ideia de que a Teoria Tradicional é a principal ferramenta de dominação usada pelo capitalismo, que é, pelo jeito, um ser vivo, autônomo, consciente e malvado, que quer dominar o Homem, esse coitadinho.
Ao desvincular o Homem de sua natureza maldosa, então a maldade humana passa a ser um item ideologicamente manipulável e de utilidade prática, onde os marxistas podem apontá-lo para quem quiserem definindo arbitrariamente quem é mal e quem não é, conforme a necessidade do momento. É por isso, por exemplo, que só há maldade no homem e nunca na mulher; só no hétero e nunca no gay; só na polícia e nunca no bandido, só no branco e nunca no negro e etc.
O ser humano, como espécie, independentemente de sexo ou raça, é mau, a prova suprema da maldade humana é o próprio marxismo, cuja ideologia matou mais pessoas do que todas as guerras que já existiram, mais que todas as pragas, só perde para o Dilúvio (não sabemos quantas pessoas viviam antes do Dilúvio, logo, em teoria, o marxismo tem potencial para ganhar até dele).

Marcos Nobre: Esse comportamento crítico tem sua fonte na orientação para a emancipação, ou seja, a Teoria Crítica vai interpretar todas essas rígidas distinções da Teoria Tradicional, agir e conhecer, teoria e prática, como indícios dessa incapacidade de concepção tradicional de compreender a realidade no seu todo.
O comportamento crítico se torna possível, porque ele é fundado na orientação para emancipação da sociedade. A sociedade capitalista só se torna discernível à luz de uma sociedade emancipada. O mundo como ele é, a sociedade capitalista e o conhecimento oriundo dessa sociedade de classes, só pode ser conhecido dentro do ponto de vista crítico (conhecido ou inventado?), porque a perspectiva do capital vai limitar e encerrar a análise ao nível da aparência, ao nível de uma promessa de realização da liberdade e da igualdade, que é real, através do extraordinário desenvolvimento técnico do capitalismo (admitiu, né?), e ilusória porque ela é negada cotidianamente pelo funcionamento concreto dessa forma de organização, que segundo Marx, perpetua as desigualdades.
Faz Teoria Crítica, todo aquele que aceita esses dois princípios fundamentais:
1.     A orientação para emancipação da sociedade; e
2. Comportamento crítico em relação ao conhecimento produzido na situação de dominação vigente em relação à própria realidade que esse conhecimento pretende apreender.
Pra finalizar, um modelo de Teoria Crítica:
Tolerância e elogio na pluralidade de modelos críticos, por isso, a ideia de escola é tão redutora.
O campo da Teoria Crítica é amplo/vasto e aceita todo aquele, dentro desses dois princípios, que aceitem fazer Teoria Crítica.
“O campo da Teoria Crítica tem que ser amplo, mas a partir de dois princípios fundamentais: orientar para a emancipação e manter o comportamento crítico”. Marcos Nobre
Livro Maquiavel Pedagogo de Pascal Bernardin

Pensador Livre: O próprio palestrante afirma que a ideia de liberdade veio do capitalismo, então o que seria uma sociedade emancipada marxista?
Concluindo, a Teoria Crítica visa tirar do Homem a sua busca pela verdade e consequentemente a produção de conhecimento que isso gera. Tem na imbecilização do Homem sua maior esperança, sem contar que destrói totalmente a ideia de realidade.
A Teoria Crítica visa a destruição de toda a ciência humana, e pretende fazer isso reduzindo tudo a “relações sociais”. É fácil perceber que isso é completamente absurdo, mas, por incrível que pareça, muita gente acaba se deixando levar por essa suposta teoria científica, que nada mais é do que dominação e controle social.
Essa teoria é dominante nas universidades e escolas de nosso país, hoje em dia.
Como último exemplo, a jornalista, física e matemática marxista americana Margaret Wertheim, disse: “Como muitos outros campos, a matemática está se tornando menos a busca por verdades últimas do que um projeto movido por negociações entre os participantes.”.
Corromperam até a matemática, onde a busca pela verdade não interessa mais, mas a sua interação social.
2+2 não é mais igual a 4.

Christian Brito.



Quem é Marcos Nobre?
À época da gravação da palestra, ele era Professor de filosofia da Unicamp e coordenador do programa de pós-graduação em filosofia do IFCH/Unicamp, pesquisador do Cebrap e do CNPQ. Também é autor de A dialética negativa de Theodor W. Adorno (Iluminuras/Fapesp), Lukács e os limites da reificação, e coautor de Conversas com filósofos brasileiros.

Essa palestra foi gravada no dia 17/11/2003, no auditório da CPFL, e transmitida pela TV Cultura.
Tem no YouTube, bem aqui:


Quem é Pensador Livre?
Bem... Sou eu.